encaixe
- Fernanda Stocche Barbosa
- Jul 9
- 3 min read
que tipo de jeito e de como eu tenho pra aprender a vida
eu gosto de observar e criar teorias sobre tudo
gosto de achar semelhanças e diferenças entre coisas e pessoas
quando, com 10 anos, comecei a me interessar por astrologia, eu gostava de olhar pras pessoas que eu conhecia, e as comparar umas com as outras, e com artistas. me parecia util.
eu aprendo tambem fazendo. eu posso escutar, mas eu preciso ver pra crer e tocar pra perceber.
quando tava no colegial precisava escrever tudo o que o professor marcos de historia tava me contando sobre os Assssírios (eram muitos ésses), mesmo que eu nao fosse nunca mais ler nada que tivesse escrito, mesmo que eu tivesse grudada nos olhos e movimentos dele, mesmo que eu tivesse presa nas imagens que saissem daquela boca.
e eu aprendo ouvindo? aprendo, mas tem que ter repeticao. uma, duas, mil vezes. toda vez que to aprendendo uma musica (pra cantar ou pra entender, ou porque amei mto demais da conta) eu ouço ela no repeat incansavelmente. uma vez no onibus pra sao paulo, tinha descoberto linger do cranberries e de ribeirao pra la, nos 330km de estrada só tocou linger. ate que uma conhecida, que tava no onibus, sentada atras de mim, um dia me disse. 'eu fiquei meio chocada que voce só ouviu aquilo o tempo todo, como vc conseguiu nao enjoar?' nao é a toa que tem 342 plays de love on the brain no meu spotify. nem a rihanna ja ouviu essa musica tantas vezes. rs
tem outra coisa que eu aprendo melhor que outras coisas: linguas e linguagens. tava jogando rumikub com a biba agora. nao vou mal. mas meu raciocinio nao tem a mesma logica dos numeros. é a logica da linguagem. e muitas vezes a lingua nao tem uma logica, ou pelo menos nao é tao quadrada e exata quanto a logica dos numeros. ou pelo menos se tolera a falta da logica quando ela nao existe.
se eu nao puder me comunicar na minha lingua de forma que voce me entenda eu vou me comunicar na sua. eu posso demorar um tiquinho pra aprender a falar, mas podexa que a coisa vem.
mas a metafora que eu fanfiquei sobre mim mesma é sobre meu nascimento e a forma com que as coisas acontecem na minha vida.
eu nasci de 40 ou 41 semanas, pra efeitos de contar historia eu digo 41. digo que era pra eu ter nascido dia 04 de fev e nasci dia 12. digo e é em parte verdade que minha mae entrou em trabalho de parto de manha e eu nasci quase 9h da noite, 12h depois. tinha uma parentada esperando na clinica, tinha uma farofada e tinha jogo do corinthians. era uma quinta-feira e chovia.
eu demorei, me demorei, fiz a pobre da minha mae esperar, meu pai suar de nervoso, e quando eu vim, eu tinha unha grande, cabelo comprido e ja falava.
eu brinco com isso porque tem uma outra coisa sobre mim é que eu aprendo de um jeito que na superficie parece que as coisas estao estaticas, paradas. e se voce mergulhar por baixo dessa fumaça que paira no ar você tambem nao entende ou vê direito é denso, é embaçado. tem algo nos bastidores, tem algo de silencioso que acontece em mim. a coisa fica e se demora. ta suspensa. e depois, tao intensa, grotesca e mágica como um parto a coisa se dá ali. e uma vez que ela nasceu, ela tá lá.
e ta tdo bem se as pessoas nao veem os bastidores, e ta tdo bem mesmo. mas de repente, tdo que pairava no ar, esperando o momento certo, se encaixa e eu me transformo.
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