top of page
Search

sete (mil) vidas

Writer: Fernanda Stocche Barbosa
Fernanda Stocche Barbosa
Jun 9, 2025
2 min read

quantas vezes se precisa morrer pra se viver de verdade?

quantas vidas dentro dessa eu já tive e já perdi.

quantos abandonos de mim mesma

quantas desistencias

quantos sonhos nascem, quantos crescem

todos morrem?

quanto mais envelheço penso que me torno eu mesma a medida que me enfraqueço de mim, que desisto do sim e que aceito os nãos

mas viver é uma constante troca do que se foi pelo que se é - que dura pouco, porque sempre queremos o que está por vir, o que é inatingível.

me encontro hoje nesse instante num nem lá nem cá insuportável.

numa nuvem cinza de fumaça

num sonho de que nao acordo

um labirinto que eu mesma criei com charadas das quais esqueci a saída.

um engima fácil de se resolver de longe. mas quase impossível de se entender quando se aproxima.

ninguem é normal. de mto perto.

conto e reconto minhas dores que se misturam com as dores do outro. quero amar, quero a troca. o outro é minha religiao, porque me fascina e me ensina de mim,

me perco em vocês todos. me delicio nesse caos mas depois morro.

estou morta. mas nao estou no ceu. estou viva mas nao aqui.

há um teimoso fio de esperança de que tudo fique bem, que a dor se vá, que a chuva passe e se possa ver tdo claramente. há uma criança em mim que ainda sonha.

há também uma voz que me sussura que somos almas mundanas que perambulam pelas cidades perdidas.

e qual é a fernanda? as duas pessoas. fernanda pessoa. pessoas.

se eu pudesse ir num cartorio agora mudaria meu nome pra esse. se eu pudesse agorinha mudaria meu signo, meu endereço, meu tipo sanguineo.

eu me amo, acredite, mas nao suporto minha propria existencia mais no meu proprio corpo.


 
 
 

Recent Posts

See All
vórtice

ainda não acabei o livro de didion. são apenas 200 páginas. tenho lido devagar. mas não é só isso. a cada parágrafo eu paro e me deparo com meu próprio luto ali descrito. o ano do pensamento mágico é

 
 
 
didion

toda vez que fecho o livro, sinto os olhos ardendo, mareados e dou-lhe um beijo à capa dele. me sinto próxima dela. como se conhecêssemos uma a outra. bom, pelo menos eu tô te conhecendo, di. essa mar

 
 
 
impulse

when i opened my computer today, i promised i'd write in whatever language made sense, without thinking too much. i can be highly impulsive — so much so that i could barely wait for wix to load. and a

 
 
 

Comments


bottom of page